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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Monumento à Bíblia é marco da presença evangélica em Natal

Quando os primeiros missionários evangélicos chegaram a Natal, nos últimos anos do século XIX, encontraram uma pequena cidade provinciana, com forte influência do catolicismo. Na virada do século, a cidade tinha 16 mil habitantes, segundo o historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo que, aliás, nasceu naquela época, em 1898.

Atualmente, mais de um século depois, a população de Natal supera 800 mil pessoas. Já foi base militar norte-americana (durante a II Guerra Mundial), foco de revolta comunista (em 1935), palco de encontro entre presidentes (Roosevelt e Vargas, em 1942), ponto de partida para uma aventura de jangada inesquecível (em 1922), rota aérea regular com o Velho Mundo, lugar para desenvolvimento de métodos revolucionários de alfabetização (Paulo Freire e o De pé no chão também se aprende a ler).

Antônio Jácome conta como nasceu ideia do Monumento à Bíblia

O deputado estadual Antônio Jácome, idealizar do Monumento à Bíblia, revelou que a primeira ideia era instalar o marco cristão na Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, mas o projeto terminou sendo transferido para a praia do Meio. Para o parlamentar, aquele é um “símbolo do cristianismo”, não somente para os evangélicos.

“A Bíblia é o livro mais lido, impresso e comentado em todo o mundo. Está acima das religiões. O monumento é um estímulo para que as pessoas conheçam o valor histórico, teológico e cultural da Bíblia. Além disso, aquele marco tem uma importância turística, porque vai se transformar em ponto de encontro para todos os cristãos, tanto católicos quanto evangélicos”, comentou.

De quem o mundo não era digno

Algumas décadas precisaram ser transpostas até que a presença evangélica em Natal passou a ter um significado político e social até então inédito. Alguns personagens servem para pontuar aspectos interessante dessa história.

Se o Rio Grande do Norte teve em João Café Filho o único político que, tendo sido eleito vice-presidente, assumiu o cargo de chefe do executivo federal com o suicídio de Vargas, não se deve esquecer que o presidente, morto em 1970, teve uma formação em ambientes presbiterianos. Nascido em 1899, Café Filho passou sua infância na Igreja Presbiteriana Independente de Natal, onde seu pai foi presbítero. Desse modo, podemos considerar que, antes mesmo do general Geisel (1974 - 1979), Café Filho foi o primeiro presidente de origem protestante do Brasil.